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Outubro Rosa: 10% das mulheres com câncer de mama relatam abandono pelo parceiro após o diagnóstico

Psicóloga clínica e jurídica Leila Tibiriçá de Carvalho aborda os impactos da ruptura afetiva na saúde mental de mulheres em tratamento e destaca a importância da rede de apoio durante o enfrentamento da doença

O diagnóstico de câncer de mama pode trazer desafios que vão além do tratamento médico, envolvendo a saúde mental, os relacionamentos e a reorganização da vida familiar. Uma pesquisa realizada em 2024 pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), em parceria com Datafolha e AstraZeneca, revelou que uma em cada dez mulheres (10%) diagnosticadas com câncer de mama foi abandonada pelo parceiro após a confirmação da doença.

O Outubro Rosa é uma campanha internacional de conscientização sobre o câncer de mama, realizada anualmente com o objetivo de ampliar o acesso à informação, incentivar a prevenção e promover o diagnóstico precoce da doença. No Brasil, a mobilização também reforça a importância do acompanhamento médico, da identificação de alterações nas mamas e do acesso oportuno aos serviços de saúde. Além dos aspectos clínicos, a campanha abre espaço para discutir os impactos emocionais e sociais do diagnóstico, a importância do acolhimento durante o tratamento e a necessidade de uma rede de apoio que considere as diferentes necessidades das mulheres.

O levantamento ouviu 240 mulheres em cinco cidades brasileiras, entre elas Salvador. O cenário ganha relevância diante das estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que prevê 78.610 novos casos da doença por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028. Para a psicóloga clínica e jurídica Leila Tibiriçá de Carvalho, com mais de 20 anos de experiência na atuação com relações humanas, conflitos familiares e saúde mental, o Outubro Rosa também é uma oportunidade para discutir o sofrimento emocional enfrentado por mulheres durante o tratamento e a importância de redes de apoio capazes de acolher suas necessidades.

O afastamento do parceiro em um momento de vulnerabilidade pode intensificar sentimentos de solidão, insegurança, tristeza e desamparo. Além das mudanças físicas provocadas pela doença e pelos tratamentos, muitas mulheres precisam lidar com as perdas inerentes ao processo de tratamento, a incerteza sobre o futuro, as preocupações com a família e as alterações na rotina.

“O diagnóstico de câncer já impõe uma série de desafios físicos e emocionais. Quando a mulher também enfrenta o abandono ou a falta de apoio de quem esperava ter ao seu lado, esse sofrimento pode se tornar ainda mais difícil de administrar. É importante que ela encontre espaços de acolhimento, possa expressar o que está sentindo e não seja responsabilizada pela dificuldade de outra pessoa em lidar com a doença”, afirma Leila. A psicóloga ressalta que o acompanhamento da saúde mental deve fazer parte do cuidado integral, com atenção a sinais de ansiedade, depressão, isolamento e sofrimento persistente. O Ministério da Saúde recomenda a identificação precoce desses sintomas e o encaminhamento para atendimento especializado sempre que necessário.

A construção de uma rede de apoio é fundamental para que a mulher atravesse o tratamento com mais segurança emocional e condições práticas de cuidado. Familiares, amigos e pessoas de confiança podem contribuir com o acompanhamento às consultas, a administração dos efeitos colaterais, com as tarefas domésticas, os cuidados com os filhos e a escuta sem julgamentos.

Esse tema traz à tona a dificuldade que ainda existe em reconhecer que as mulheres, que costumam estar ocupando o lugar de serem as cuidadoras da casa e familiares, também precisam de cuidados. Quando o suporte do parceiro não existe, é importante que a paciente saiba que não precisa enfrentar esse processo sozinha e que pode buscar ajuda psicológica e assistência social.

Outro aspecto importante é o respeito à autonomia da mulher sobre o próprio corpo e suas decisões durante o tratamento. Cada paciente vivencia o diagnóstico de maneira singular e precisa ter seus limites, necessidades e possibilidades considerados, sem cobranças externas sobre como deve reagir, quais procedimentos deve realizar ou em quanto tempo precisa retomar sua rotina. O acolhimento também significa garantir que ela tenha acesso a informações claras para tomar decisões conscientes, respeitando seu tempo e suas condições físicas e emocionais. Nesse processo, familiares e parceiros podem oferecer apoio, mas é fundamental que não transformem suas expectativas em exigências ou pressões sobre a mulher, que deve permanecer no centro das decisões relacionadas à própria saúde.

Mestre em Políticas Sociais e Cidadania pela Universidade Católica do Salvador (UCSal) e especialista em Psicologia Jurídica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Leila destaca que falar sobre saúde mental durante o Outubro Rosa também significa reconhecer as diferentes realidades vividas pelas pacientes. O cuidado não deve se limitar ao combate à doença: precisa considerar a história, os vínculos, as condições sociais e as necessidades emocionais de cada mulher.

Sobre Leila Tibiriçá de Carvalho

Leila Tibiriçá de Carvalho é psicóloga clínica e jurídica (CRP 03/3482), com mais de 20 anos de experiência na atuação com relações humanas, conflitos familiares e questões que envolvem a interface entre saúde mental e sistema de Justiça. É mestre em Políticas Sociais e Cidadania pela Universidade Católica do Salvador (UCSal) e especialista em Psicologia Jurídica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ao longo da carreira, atuou em projetos de prevenção e enfrentamento das violências contra mulheres, crianças e adolescentes, além de ter experiência como docente em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Psicologia e Direito e participação em programas de televisão, rádio, congressos e eventos institucionais.

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Caroline Vilas Bôas
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Francisco Martins

O comunicólogo atua em diferentes funções, como repórter, editor, produtor, chefe de redação, etc. Também atuar na comunicação organizacional como atividades voltadas ao Marketing, Publicidade, Relações Públicas, Cinema e Vídeo, entre outras. DRT 7333/BA

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