Prática de exercícios físicos ajudam a combater os sintomas da fibromialgia, como a rigidez muscular e redução da dor
No mês dedicado à mulher, a discussão sobre saúde e qualidade de vida ganha ainda mais relevância, especialmente quando o assunto é fibromialgia — condição que atinge majoritariamente o público feminino e impacta diretamente a rotina, o bem-estar e a autonomia das pacientes. A doença crônica necessita de um tratamento individualizado e multidisciplinar, que passa também pela prática regular de exercícios físicos.
Um levantamento do centro de análises e pesquisas Cochrane, publicado em 2017, apontou que a prática regular de exercícios físicos é uma estratégia eficaz para aliviar sintomas frequentes da fibromialgia, como dores generalizadas, alterações no sono e cansaço persistente. A pesquisa analisou 13 estudos que reuniram 839 participantes — 61% deles mulheres sedentárias. Ao longo de 24 semanas, os pesquisadores notaram que a prática de atividades aeróbicas impactou na redução da dor, além de melhora no condicionamento físico, diminuição da rigidez muscular e menor sensação de fadiga.
Dra. Emanuela Pimenta, reumatologista da Clínica Ceder, explica como a prática de exercícios leves e moderados pode ser terapêutica para mulheres com fibromialgia. “As mulheres representam mais de 60% das doenças reumatológicas no Brasil, como a fibromialgia e a artrite reumatoide. Quando o exercício é realizado de forma adequada e supervisionada, ele vai atuar na redução da dor, no aumento da flexibilidade e em um melhor bem-estar geral, o que vai impactar na retomada das atividades diárias com mais disposição e conforto”, revela a médica.
Além desses benefícios, a atividade física estimula a liberação de endorfina – substância que promove o bem-estar, melhora do sono e auxilia no controle do estresse e da ansiedade, que são fatores que contribuem para um agravamento dos sintomas da fibromialgia.
Qual exercício escolher?
Apesar dos efeitos positivos da prática de atividade física em pacientes com fibromialgia, é importante conversar com o seu médico e entender os impactos que cada atividade pode proporcionar ao seu corpo. Atividades como caminhadas, alongamentos e pilates são unanimidade e ajudam na redução do estresse, da rigidez muscular e no aumento da resistência, sem causar muito impacto nas articulações.
A prática de musculação também é aconselhável, desde que seja feita com acompanhamento e atenção aos seus limites. “Os exercícios de fortalecimento muscular atenuam o desconforto nas áreas afetadas e ajudam a melhorar a função dos músculos, mas é preciso cuidado com a intensidade dos exercícios e respeito ao processo de adaptação”, aconselha a Dra. Emanuela Pimenta.
Há ainda a opção pelas atividades aquáticas, como hidroginástica e natação, que provocam menos impacto nas articulações devido à ação da água, ajudando no controle da dor. Esses são exercícios ideais para as mulheres que buscam mais flexibilidade e força muscular para combater os sintomas da fibromialgia.
Cuidados
A Dra. Emanuela Pimenta elenca alguns cuidados que as mulheres que sofrem com a fibromialgia devem seguir ao iniciar a prática de atividades físicas:
- A realização de exercícios físicos, especialmente a musculação, deve ser feita de maneira estratégica. A progressão de carga deve ser lenta, com frequência controlada e respeitando os limites do seu corpo;
- O acompanhamento de um fisioterapeuta ou profissional de educação física pode garantir que os treinos sejam feitos respeitando os limites da paciente;
- Atenção à consistência: a repetição é mais importante do que uma carga alta para desinflamar as articulações;
- Respeite o seu corpo: em dias em que a dor for mais forte, dê preferência a exercícios mais leves ou ao descanso;
- Caso esteja iniciando a rotina de exercícios, priorize cargas mais baixas ou atividades que possuam baixo impacto, como ioga, hidroginástica e caminhadas.
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