Dietas muito restritivas podem resultar em danos físicos, nutricionais e mentais
Muita gente já sentiu culpa por comer pão ou um pedaço de bolo, suspendeu o consumo de frutas mais doces sem recomendação e até passou a comprar somente chocolate amargo por achar que a versão ao leite é o grande inimigo da dieta. Essas ações são reflexo de um fenômeno cada vez mais presente no dia a dia: o chamado terrorismo alimentar.
Com a internet e as redes sociais, apesar das inúmeras informações sobre alimentação saudável disponíveis, a inclusão de alimentos na categoria de proibidos tem ganhado força, aproximando as pessoas de uma relação ruim com a comida. “Os discursos, muitas vezes sem embasamento científico, costumam demonizar ou proibir de forma exagerada. Usam o medo ou a culpa para controlar escolhas alimentares, o que pode gerar restrições excessivas e ansiedade”, diz a nutricionista Isadora Godinho.
O crescimento de discursos que apoiam cardápios reduzidos acende o alerta diante das mudanças nos hábitos alimentares, especialmente entre os jovens. Segundo levantamento da Cromo Consultoria, 63% dos brasileiros que fazem parte da geração Z aderem a regimes voltados ao rápido emagrecimento e ganho de massa muscular.
A profissional ressalta que dietas extremamente restritivas e sem acompanhamento podem levar à deficiência nutricional, caracterizada por dores de cabeça, anemia, queda do rendimento nas atividades físicas, entre outros sintomas. O efeito sanfona, quando há um ganho de peso considerável logo após o período de emagrecimento, é mais uma consequência recorrente.
“Restrições longas e sem orientação também podem causar compulsão alimentar, além de desequilíbrios hormonais e alterações no humor pela falta de nutrientes. O ciclo menstrual desregulado é um exemplo dessa interferência hormonal”, afirma.
Equilíbrio alimentar
Diversas regras e dicas que surgem no ambiente online são radicais e apresentam informações falsas. A nutricionista destaca que é possível encontrar equilíbrio sem abrir mão do prazer de comer, através da busca por apoio profissional e conteúdos de qualidade. Ela ainda menciona a regra 80/20, que foca na nutrição a longo prazo e com flexibilidade.
“A regra indica que em 80% do tempo a alimentação deve incluir frutas, verduras, legumes, boas fontes de proteína e gordura, grãos integrais e oleaginosas. Já os 20% abrem espaço para opções que trazem prazer, mesmo que não sejam tão nutritivas – como uma sobremesa, um copo de vinho ou um pãozinho”, explica.
Além dessa possibilidade, existem fórmulas manipuladas que ajudam a alinhar saúde e controle do peso. Edza Brasil, farmacêutica e fundadora da Singular Pharma, cita o magnésio, as vitaminas A, D, do complexo B e E, adaptógenos e o ferro entre os ativos mais indicados no suporte de dietas equilibradas. “Todas as formulações são ajustadas conforme as necessidades e objetivos de cada pessoa. Por isso, as doses, formas farmacêuticas e associações para melhores resultados variam de maneira personalizada”, salienta.
Respeito à individualidade
Como cada indivíduo é único, a escolha dos itens que vão compor a sua alimentação também precisa ser. Isadora Godinho reforça que o papel do nutricionista é desfazer mitos e o padrão alimentar inatingível. “A nossa atuação envolve a análise de exames, rotinas e preferências para propor soluções viáveis e de acordo com o contexto de cada paciente”. Ela ainda defende que, ao invés de extremismos, o caminho é escutar o corpo respeitando três situações: fome, saciedade e bem-estar.
O acompanhamento farmacêutico também auxilia no combate ao terrorismo alimentar, uma vez que contribui para dietas mais realistas. “O trabalho do farmacêutico complementa o do nutricionista, pois os conhecimentos sobre as interações entre ativos e alimentos levam a manipulações personalizadas capazes de repor nutrientes e ajudar no processo de emagrecimento ou manutenção do peso”, conclui Edza Brasil.
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