Mais de 4.000 pessoas já visitaram a mostra gratuita, que articula pinturas e instalações em torno da memória e da sensibilidade até 10 de maio
Valorizar a arte é também formar olhares mais sensíveis para o mundo. Esse é o convite que a exposição Hoje é de vez em quando, do artista mineiro Fábio Baroli, faz ao público para sua última semana em cartaz, na CAIXA Cultural Salvador. Até 10 de maio, a mostra gratuita propõe uma desaceleração do tempo, com obras ancoradas na memória, em saberes cotidianos da vida rural e em práticas artesanais, frente à lógica do imediatismo contemporâneo.

Desde a abertura em março, mais de 4.000 pessoas já visitaram a exposição e se encantaram com as 35 obras que transitam entre pinturas e instalações. Marcadas por um realismo impressionante e pinceladas precisas, muitas das imagens se aproximam da fotografia e despertam no público uma sensação de conforto, como se cada cena capturada carregasse uma pausa para respirar e contemplar.

Entre os visitantes, mais de 2.550 estudantes, vindos de grupos de excursões escolares, tiveram a oportunidade de participar de visitas mediadas, aprofundando a experiência para além do que os olhos vêem. Num contexto de estímulos rápidos e telas digitais constantes, incentivar o contato desde a infância com as artes plásticas é essencial para o desenvolvimento crítico, a formação de repertório e o estímulo à imaginação e criatividade.
Imersão para todas as idades – Para Felipe, de 10 anos, estudante do 4º ano do Instituto Educacional de Salvador e criança no espectro autista, visitas a museus de arte são uma forma importante de adquirir conhecimento. Entre as obras da exposição, a que mais chamou sua atenção foi As Três Marias, composta por três quadros que retratam mulheres de idades diferentes, mas com traços semelhantes, sugerindo uma relação de parentesco. “Elas são iguaizinhas, só muda a idade. A exposição é muito legal, as pinturas são muito bonitas, parecem até fotos”, observa.
O educador que guiou a visita, Lucas Mahacari, destaca a importância dos museus como espaços de descoberta para todas as idades e reforça que o interesse surge a partir da forma como a arte é mediada e conectada ao cotidiano.
“A visita ao museu é fundamental na formação, especialmente na infância. Mais do que explicar a obra, é uma troca. É preciso sensibilidade para perceber o que cada pessoa traz e criar conexões a partir disso. Quando aproximamos a arte de referências do cotidiano, como jogos ou elementos do universo delas, o interesse desperta de forma natural. Isso também contribui para valorizar a arte brasileira, como a de Fábio, que, mesmo sendo de um contexto regional, dialoga com diferentes públicos”, explica.
Convite para contemplar e refletir – Com curadoria de Agnaldo Farias, a exposição propõe uma reflexão sobre a noção de tempo no mundo contemporâneo, a partir de trabalhos que dialogam com memórias, saberes populares e práticas artesanais. Em contraponto à lógica da urgência e do consumo imediato, as obras de Baroli convidam o público a observar com mais atenção aquilo que costuma passar despercebido.
A mostra também se insere no debate sobre os desafios da prática artística na contemporaneidade. Para Fábio, retratar a vida interiorana em boa parte das suas obras é como um gesto de resistência. “Abordar a vida no campo não é um exercício de nostalgia, mas uma forma de lembrar que existem outros ritmos possíveis, outras maneiras de organizar a vida e o trabalho. Esses saberes exigem tempo, repetição e convivência, exatamente o que o mundo contemporâneo tenta descartar. Insistir neles é afirmar que nem tudo pode ou deve ser substituído, ou aniquilado”, avalia o artista.
Sobre o artista – Nascido em Uberaba (MG), Fábio Baroli é um artista visual cuja obra é fortemente influenciada pela memória da infância no interior e pelas transformações sociais e urbanas do Cerrado. Formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), desenvolveu no Rio de Janeiro uma produção centrada na memória pessoal como forma de refletir sobre o presente e o futuro.
Sua obra articula pintura e instalação, com técnica refinada, paleta sóbria e referências a mestres como Manet e Velázquez, incorporando colagem e fragmentação para criticar os impactos do mundo contemporâneo. O artista volta-se para um Brasil cotidiano e pouco visível, marcado por modos de vida ameaçados, saberes populares e comunidades tradicionais.
SERVIÇO:
Exposição Hoje É De Vez Em Quando
Local: CAIXA Cultural Salvador – Rua Carlos Gomes, 57 – Centro
Data: até 10 de maio de 2026
Horário de visitação: terça-feira a domingo, das 9h às 17h30
Entrada gratuita
Classificação etária: Livre
Informações: Site CAIXA Cultural/Instagram: @caixaculturalsalvador/(71) 3421-4200
Acesso para pessoas com deficiência
Todas as imagens da exposição possuem recurso de audiodescrição
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal



